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| 07/08/2005 |

O TAL JEITINHO...
Se fosse resolver, cortaria eu na própria carne. Abriria mão das minhas crenças e convicções. Negaria as minhas bandeiras (que nunca foram muitas). Desdiria o que rezo, de longa data. Deixaria o meu País. Desacreditaria na raça humana. Fincaria pé nos meus ideais, rodeado de mim mesmo no topo de uma montanha. Mas isso nada resolve.
NÃO! Não comentarei política brasileira. Recuso-me a partilhar deste espetáculo grotesco - demagogia, hipocrisia e campanha política antecipada. Disso, a IMPRENSA e demais “URUBUS” de Brasília, têm se incumbido sobremaneira. São outras as minhas aflições.
“Viva o Povo Brasileiro” - gritou João Ubaldo Ribeiro. Aqui não vai qualquer referência à esplendorosa obra do bom baiano - apenas ao título, em menção singela. Tenho repensado a nossa sociedade, para tentar entender os descaminhos desta Nação.
Quem me acompanha (e muito me honra) desde a criação desta página, sabe do quanto insisto na questão social - EDUCAÇÃO E CULTURA... TELEVISÃO... RESPONSABILIDADE... RESPEITO... Enfim. Donos do PENTACAMPEONATO MUNDIAL DE FUTEBOL; Donos do maior espetáculo da terra (O CARNAVAL); Donos da graça, da beleza, da ginga que encanta o mundo (O SAMBA); UM POVO DIFERENTE... Exatamente em nossas diferenças, as nossas mazelas. Como qualquer Nação do mundo, guardamos nós as nossas MAZELAS - também.
Jamais me esqueço do Cidadão trabalhador que, ao devolver o dinheiro que encontrou no aeroporto ao seu legítimo dono (quantia significante), tornou-se um exemplo (à Nação), exposto na mídia televisiva, quase que como um ser extraterreno. Ora, se gesto tão singelo nos causa tamanho espanto, denota-se que há muito nos distanciamos dos princípios morais - se é que um dia...
Penso que, de tudo, o que mais corrói a vida social brasileira é o tão famoso “JEITINHO”. Confesso que não saberia explicar de onde isso vem, mas a tal (e tão perseguida) vantagem pessoal, se encontra de forma incutida no subconsciente do povo brasileiro, que campeia instintiva pela sociedade, constantemente camuflada de esperteza; pequenos préstimos obsequiosos; pequenas malandragens vistas com manifesta simpatia por maioria esmagadora da população. Uma ligeira inclinação para a transgressão, copiada e reproduzida tão intensamente no seio de uma Nação, é preocupante veio desencadeador de uma mentalidade comum de banalização de atitudes criminosas (inda que pequenas e às vezes sutis), de peso relevante no desequilíbrio social que vivenciamos desde muito.
Veja bem. Tenho insistido, anos a fio (murro em ponta de faca), no que já me é um bordão - EDUCAÇÃO E CULTURA, É A CHAVE DE TUDO. Contudo, é preciso atentar para as ENTRANHAS. É preciso rever posturas e princípios. É como se buscássemos extirpar um mal, do qual padecêssemos fisicamente. Há um câncer social. Há um carcoma cuja origem não se pode atribuir aos governantes, nem aos poderosos, nem às leis, nem aos ricos, nem aos céus ou infernos. Está em nós, indivíduos de uma mesma sociedade.
Conduta e ética, não deveriam necessitar da elaboração de Códigos ou da formação de Conselhos fiscalizadores, sendo bastante à vida social, a atenta observância dos princípios morais e dos bons costumes. Contudo, até a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB/SP (é só conferir), ostenta orgulhosa em seu site, o link do seu Tribunal de Ética e Disciplina.
O Brasil é, sobretudo, todas as coisas boas que nós conhecemos e bem sabemos. Merece sim, ser cantado em prosa e verso. Um povo apaixonante. Uma terra abençoada por Deus e bonita por natureza - QUE BELEZA! Mas há, também, o reverso da moeda, que precisa ser visto e revisto - ATENTAMENTE.
Se a malandragem e a esperteza do tal jeitinho brasileiro, está em todas as esferas às escâncaras. Se passeia livre entre aqueles que elaboram as leis; Entre os outros que as executam (ou deveriam executá-las); Se permeia, inclusive, a própria justiça; Se existe uma engrenagem, um sistema em pleno funcionamento, ao qual se amoldam aqueles que chegam ao Poder (a despeito dos seus ideais), é preciso que atentemos (nós, Cidadãos), de que tudo o que aí está, tudo com o que nos deparamos nos três Poderes desta República, em todas as classes sociais e, inclusive, no nosso meio de convívio pessoal ou profissional, não é fruto puro e simples da falta de conhecimento ou de carência de oportunidades. Não se pode analisar pelo viés singelo do despreparo cultural. Não é só não saber votar. Não é só falta de seriedade ou desapego à vida cívica. É mais profundo. É triste dizer, mas tudo isso é gerado do mesmo útero. É reflexo de nós mesmos. É espelho e extensão da nossa sociedade. Espelho de um povo que precisa, urgentemente, rever os seus conceitos e reencontrar-se; reconhecer ou conhecer princípio morais básicos, de retidão de conduta e costumes na vida social.
Até a próxima!
Escrito por Fernão Paulino Netto às 19h30
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| 24/07/2005 |

SINAIS DE FUMAÇA...
Ou de fogo, como prefere a cantora Ana Carolina - não importa, desde que os meus bons amigos percebam que permaneço aqui... (CHEIO DE SAUDADES...). Recusei-me (e recuso-me) a desativar esta página, apesar do turbilhão em que me vi nos últimos dois meses. Algo em mim, me convenceu da precisão de dar tempo ao tempo, capaz de sarar todas as coisas. Perdoem o meu tanto silêncio. Quero, inclusive pedir que deixem endereço eletrônico nesta página (e-mail), especialmente ao meu Mestre e grande amigo ED (Cartazes de Cinema) com quem tentei inúmeras vezes entrar em contato, mas não obtive sucesso - Rogo-lhes o perdão!
Isto NÃO é uma despedida. O Chiliquento precisa ter continuidade, por isso estou de volta. Sinto, contudo, que não seja suficiente voltar, mas justificar esse lapso e essa falha. Esclareço, para tanto, que tenho me dedicado intensamente a escrever. Atrevo-me a gestar um romance - O meu primeiro (talvez único) livro. E há um certo encantamento de um pai (e mãe) às vésperas do parto - é verdade. Estou muito feliz, um pouco envaidecido e um muito apaixonado. Limito-me em meus comentários sobre ele, por pura suspeição - Confesso.
Até breve (breve mesmo)!!! Prometo.
Escrito por Fernão Paulino Netto às 13h06
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| 10/04/2005 |
A CARNE

“A carne mais barata do mercado é a carne negra...” - Na poderosa voz rouca da sensacional Elza Soares, o grito denuncia fatos, o canto imortaliza o verso de A CARNE, faixa ímpar do disco DO COCCIX ATÉ O PESCOÇO, lançado no ano de 2002. Um vídeoclipe, MARAVILHOSO e um artista INACREDITÁVEL”. De tão nobre inspiração, me veio o comentário que segue.
Um tema delicado. Porém, em meio a um papo comum de mesa de bar, embalados pelas notícias recetemente veiculadas, de discriminação racial no mundo do futebol, questionaram-me quanto à imprensa brasileira e aos tantos ícones da televisão que, invariavelmente, ao entrevistarem um negro celebre (nesta ordem de visão - o negro antes de celebridade, é NEGRO), de qualquer ramo de atividade, iniciam ou permeiam as suas perguntas, com a questão dos “preconceitos” raciais no nosso país. Enfim. Existe discriminação racial no Brasil?
INFAME e DESCABIDO é o questionamento. Abordei, doutra feita, a questão nesta página, falando do Festival de Cinema de Gramado, diante da abominável colocação do presidente do júri, o não menos RUBENS EWALD FILHO, crítico de cinema, acerca dos resultados da premiação, que apontaram o filme “AS FILHAS DO VENTO”, como o grande vencedor do ano (confira abaixo, no post de 04/09/2004).
Ora Cidadão! Ponderei. Não se há que fazer muito cálculo ou alarde, bastando pensar que, partindo do genocídio de índios com a chegada dos portugueses em 1500 (que nos ensinaram a chamar de DESCOBRIMENTO DO BRASIL), com o desembarque dos carregamentos de negros africanos (nestes termos: MERCADORIA HUMANA capturada na África e DESUMANIZADA desde o desembarque no Brasil, sob chicote e carimbo - ferro em brasa com a marca do proprietário) e caminhando suavemente pela história até 1888, quando (legalmente) se pôs termo ao regime escravocrata no Brasil, para dali até aqui, verificar em análise singela e rasteira: 1) Quantos anos contamos de escravidão do negro? 2) Quantos anos contamos, pós regime escravocrata? 3) Quantos anos contamos da presença do negro, renegado à margem da sociedade? Basta! Não há falar em “pré-conceitos”. Tratamos, sim, de conceitos formados e muito bem enraizados, e de uma discriminação velada e cruel, que imobiliza a vítima com o seu riso cínico e castrador.
Caminha a humanidade, predadora da própria espécie. No cinema, materializou-se o bem, no mocinho de cara pálida e traços perfeitos (moldes convencionados de perfeição). No espetáculo de horrores da guerra travada contra o mal, registrada ao mundo via satélite e que se estende pelo tempo, famigerada e perversa - “Deus” e o “Diabo” têm selo e bandeira e, a simples herança genética de traços comuns daquela região do oriente, condena o indivíduo mundo afora, à sanha político-religiosa dos ditadores e dos nossos distorcidos conceitos ocidentais.
Do lado de baixo do Equador, a miséria silente é arma de extermínio mais que precisa e que dispensa a tecnologia bélica. Não me atenho aos conceitos prévios - desacredito-os por desmerecerem crédito - mas, veja bem, se de um lado a ganância e a crueldade dos conceitos sociais, enraizados ao longo dos tempos; rezados pelos credos (bem guardados no tacão da igreja); difundidos pelos livros e por todas as formas de conhecimento e cultura, segregou etnias e as renegou aos guetos, doutra parte, a desigualdade social; a miséria comum aos terceiro-mundistas, faz gritar muito mais alto o poderio econômico e este, por si, demove torres de concreto - Quem (no Brasil) se importa com a cor do peito do pé do(s) Ronaldo(s), ou se é preta a pele de Pelé?... O vale quanto pesa, é fato e fator cial.
Somos todos da raça humana e isso basta - ou nos deveria bastar. Prevalecem as diferenças entre dominantes e dominados. Prevalece uma minoria concentradora da riqueza mundial, contra uma imensa massa miserável e multicor, cuja condição persiste e se agiganta, sustentada nos nossos moldes e conceitos, e na ganância do homem de sempre - Mundo animal, sim senhor!
O fato, é que não se deve esperar soluções milagrosas ou imediatas. Não se muda uma cultura da noite para o dia, mas, conscientizar-se não é prender-se ao passado ou render-se às lamentações. Tampouco será aguerrir-se, armar-se contra o mundo, endurecendo o espírito em constante auto-defesa. Ter consciência é, sobretudo, sabendo onde se quer chegar; tendo conhecimento do caminho trilhado e certeza do espaço conquistado, traçar as metas para o objetivo pretendido e perseguí-lo, obstinadamente. Conhecimento, direcionamento, trabalho e tempo. É importante ter um olho no passado, SIM, mas é IMPRESCINDÍVEL ter uma meta no futuro - SEMPRE!
“A carne mais barata do mercado (?)...”
Até a próxima!
Escrito por Fernão Paulino Netto às 18h24
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| 27/03/2005 |
FEBEM
Para o bem de quem?...
Pasmei diante do site da FUNDAÇÃO PARA O BEM ESTAR DO MENOR, a famigerada FEBEM. Eu que, por natureza, não me contento de ouvir dizer, acessei a página da Instituição, buscando de seu estatuto, algo mais que me fizesse compreender ou, ao menos, me permitisse sopesar os seus descaminhos. Confesso que me peguei embasbacado diante do que ali constatei. Os ideais constitutivos da Fundação, são dignos de nota.
Porém, a cada rebelião desencadeada nas tantas unidades da FEBEM, me vêm os tais ratos que me roem a alma. Causa espanto e me incomoda ao extremo, a contemplação indolente da sociedade, diante dos absurdos que vemos, reiteradas vezes, tomar conta dos noticiários.
Por qualquer ângulo que eu estreite a minha visão, pleiteiam-se remendos onde descabe conserto. Em que pese a boa fé e o amor ao debate, do encontro realizado no auditório da Folha, dia 21 p.p., intitulado "A Febem tem solução?", que reuniu membros da Fundação, da Sociedade civil e de outras Instituições ligadas à causa do menor, extraiu-se absurdos, dignos do descalabro em que se encontra a Fundação. Senão vejamos:
O atual Presidente da Fundação e Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania (vasto e r. curriculum), apresenta, ao pleitear a fixação de prazos para permanência dos menores em regime de reclusão (não se deve dizer pena e sim, medida sócio-educacional), a justificativa de aliviar a situação nas unidades da Grande São Paulo, com a soltura mais rápida de parte dos menores, justamente nos locais que vêm registrando rebeliões e fugas recordes neste ano. Ou seja, ao menos ao que me parece, uma tentativa de eximir-se o Estado, pela via política, dos transtornos oriundos e recorrentes da superlotação (entre outros fatores), soando muito mais alto do que a preocupação devida, com o “bem estar” do menor interno.
Aponta, o Presidente da Febem, que os prazo para permanência dos infratores reclusos naquela Instituição, são idênticos para um interno que não ofereça riscos, e outro que ofereça. Ora, diz e contradiz. Se o menor não oferece riscos, não devia estar recolhido na Fundação. Se não oferece risco, não necessita de “medida sócio-educacional”.
Convenhamos, pois, quanto à insatisfação e a ansiedade que a indeterminação do tempo de permanência interno, possa causar aos menores, e veja que ainda assim, não há falar em necessidade de fixação de um prazo máximo conforme a infração cometida, uma vez que o Estatuto da Criança e do Adolescente, no seu artigo 121, reza que a internação do infrator, está sujeita aos princípios da brevidade. Se não estabelece prazos e apenas institui que a manutenção do menor em privação de liberdade, deve ser reavaliada a cada seis meses, faz premente a necessidade da observância do caráter provisório da medida restritiva, que jamais deverá exceder o período máximo de três anos contínuos, e mais ainda, aponta para a gravidade da manutenção dos menores reclusos, sem a devida reavaliação no prazo assinalado.
Se a todo instante nos chegam notícias de rebeliões, motins, reféns, tortura, homicídios, superlotação, maus-tratos, leis próprias de extrema selvageria e formação de quadrilha, tudo tão recorrente que nos leva a debruçar incrédulos sobre o tema, que outra luz nos falta para percebermos que não há caminho no modelo que se tem estabelecido? Outros cento e onze, como no massacre assentido do Carandirú?
Se a Justiça é lenta e falha; se o Estado é omisso, o que se tem a discutir é a funcionalidade do sistema; Se não se presta a Instituição ao fim a que se destina, que validade terá a sua manutenção nos moldes que se encontra? Até porque, ao que nos parece, rasa vista do seu Estatuto, há muito a FEBEM se distanciou dos ideais da sua constituição (se é que um dia os atingiu), pois, se existem prazos assinalados como bastantes para a permanência do menor sob a custódia do Estado e, transcorridos eles, não se verifica melhora na conduta do interno, denota-se de claro prejuízo a manutenção da Fundação, diante da ineficiência da sua atuação. O que me parece absurdo, é que se venha propor a elaboração de um código penal infanto-juvenil.
Enfim, saídas existem. Partindo-se do próprio estatuto constitutivo da Fundação, com toda a sua estrutura organizacional idealizada, há caminhos outros, que não o cárcere de menores que, por si só, já deu provas mais que suficientes da sua inutilidade. Se sobram boas intenções, falta atitude e vontade. Trata-se de uma massa falida. A barbárie me assusta tanto, quanto ver que isso já não nos comove. A sociedade é tão descrente do sistema, quanto indiferente aos horrores dos seus submundos.
“A integral recuperação e educação dos adolescentes e a absoluta impossibilidade de sua submissão à tortura ou a tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes são uma prioridade do Governo do Estado de São Paulo, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e da FEBEM”. - São Palavras do Presidente da Febem. São palavras... E como diria a Cássia Eller: “...Palavras apenas. ...Palavras pequenas. Palavras...”. As minhas próprias me causam repúdio, pois nada guardam que transforme os poucos à minha volta, ou sequer a mim mesmo.
Até a próxima!
Escrito por Fernão Paulino Netto às 20h35
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| 05/03/2005 |
Comemorando o primeiro aniversário do Chiliquento.com, na PANELA DE EXPRESSÃO o texto “A TELEVISÃO ME DEIXOU...“ marca o meu retorno às publicações, que é dedicado aos meus amigos internautas, que eu tanto estimo e considero. Após necessárias férias, de volta, com o carinho de sempre e uma saudade imensa,
Fernão Paulino Netto
A TELEVISÃO ME DEIXOU...
“...Burro. Muito burro, demais” - bradavam os TITÃS. Isso pelos idos dos anos oitentas. Cabeças pensantes faziam arte e vociferavam “verdades” a um povo ávido de manifestações. Tenho, às vezes, a impressão de que, diante da exaustão, calaram-se todos ou deixaram de pensar. É como se apenas alguns poucos, irrequietos como eu, continuassem gritando aos ventos - ou às paredes, obviamente.
A música dos Titãs, então constatação, nos meus ouvidos de menino, já soava como sentença. Uma predição que reverbera hoje e me faz temer os próximos vinte ou trinta anos.
Sempre que tento entender os rumos dessa Nação, inevitavelmente, me deparo, pasmado, com a TV e o seu poderio escandaloso. O povo brasileiro está umbilicalmente ligado a tal telinha. Irremediavelmente impregnado, contaminado, viciado do seu poder.
O mundo desmoronando e, renitente, me vem o Jô (Soares, é claro) - ...a solução é muito simples, pois, se o telespectador tem nas mãos o controle-remoto, idem a programação da tv, sob o seu comando - declara o global, lá pelas onze e meia - Não gostou, é só trocar. Simples assim. - Simplista por demais e até cínico, diria eu. Ouso, pois, discordar da sumidade, sem sequer estender-me muito pra tanto.
Tão igualmente simplista, comparo o telespectador a um faminto, que tem nas mãos, um extenso cardápio de um só prato - “Peça pelo número”! - Odeio muito tudo isso!
De domingo a domingo, pulamos de uma criatura aloirada pra outra e é tudo tão ruim quanto. Programas reeditados, com mirabolantes fórmulas que conseguem piorar o que já era uma desgraça; As mesmas caras plastificadas; O apelo constante à sexualidade - como piada, inclusive; O sensacionalismo (apresentado por “respeitados” nomes do telejornalismo); Os shows de macaquices nas tardes de domingo. Fofoca sobre a vida de “artistas”, na boca podre do Nelson... (pensar que até a Irmã Dulce morreu...); As novelas, então, com seus belíssimos elencos, muito próximos dos televisivos mexicanos. Festejos ao Maneco, é claro, preferido da tal namoradinha do Brasil, sempre a nos brindar com os seus novelões que, ao começar, apontam para... No meio do caminho, desandam em... daí pro fim, entrega na mão de Deus, pra ver onde tudo vai desaguar e, como Deus nada entende de telenovelas, “perdoai-o, Pai”!
“Vejo tv pra me divertir e não pra pensar” - dito comum entre os populares. Pois bem. A televisão, com a força da sua invasão assentida aos lares brasileiros, é o meio de informação (?), diversão, contato com o mundo externo, que ainda dispõe o assalariado cidadão. O cabra, engolido pela engrenagem dos grandes centros ou pela simples rotina do mais longínquo cafundó, consome o que lhe é servido, largado diante da tal telinha - E o que vem? - FEIJÃO!
Também simplista, é a linha de raciocínio da indústria da televisão. Fato é, que o povo brasileiro, na sua maioria, é analfabeto (revendo o conceito de analfabetismo, sob prisma meu, refiro-me à capacidade intelectual). Munida disto e travada a batalha pela pontuação no IBOPE (maldito seja!), necessita a indústria, trabalhar uma programação voltada para este público; o que implica algo, cuja intelecção, não requeira grandes elucubrações - conclui o homem de televisão.
Contrariamente ao distorcido discurso de alguns televisivos, formadores de opinião (inclusive), não se pretende transferir à tv aberta, a função de educadora, em substituição ao papel próprio do Estado. Nisso nem há falar, pois, de fato, não lhe compete. O que se tem em mente, entretanto, é a contribuição da tv à formação cultural, enquanto veículo que (des)informa e que, mais do que palavras, detém a força da imagem, levada a um público habituado a absorver mensagens, sobre as quais, por incapacidade, não discerne. Público este que, sócio-culturalmente desinteressado e economicamente desfavorecido, desapegou-se e alienou-se da busca por outras fontes de conhecimento.
E desse despreparo cultural; dessa inércia social; dessa indolência ante o tempo e o espaço em que vive, se servem a mídia, a política e as classes sociais dominantes. O poder se fortalece e aí, tememos ambos os gumes da faca.
“O poder tem dentes de ferro e ferrugem na boca fétida, que regurgita pro nosso consumo”.
- ...Tudo tão terrível assim? - Sim. Mas não tão somente. Claro que nos restam grandes, raras, louváveis e encantadoras opções na tv aberta, as quais, poderia eu enumerar nesta página, sem dispensar muitas linhas de escrita. Mas delas, trataremos noutra oportunidade.
“Tô nem aí... Tô nem aí...” - diz o hit que compõe a trilha sonora da série de tv, criada para “espelhar” a moçadinha que vem chegando à idade adulta, e isso me remete a um outro verso dos oráculos Titãs, em seus temíveis presságios - “...Agora, todas as coisas que eu penso, me parecem iguais”... - Que pena!
Até a próxima!
Escrito por Fernão Paulino Netto às 17h04
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| 06/12/2004 |

Tributo ao Segundo Sol
...que eu fui lá fora e vi dois sóis num dia
e a vida que ardia sem explicação…
Não tem explicação… Não tem…
Não tem…
(Nando Reis)
“...Deus é um cara gozador. Adora brincadeiras ...” - Se Deus é ou não brasileiro, não sei. Mas o Chico (Buarque) tem razão - é um cara gozador...
Um salto no vazio de olhos vendados. Abismo. Vertigem. Um misto de tudo isso me invadiu e foram essas as sensações que carreguei, por muito tempo. Hoje posso falar de Cássia Eller - sem sofrer.
Justo a década que produziu o maior acúmulo de lixo na música brasileira (anos noventas), com a ascensão dos grupos de pagode; duplas caipiras (...e quem dera uma espingarda de dois canos - como diz a Rita Lee); dança disso; dança daquilo; axé music; rap, e sei lá mais o quê, trouxe-nos, também (e graças a Deus) uma das figuras mais fortes e mais cativantes de toda a nossa história musical - Cássia Eller.
INOVADOR, foi o meu primeiro conceito, ao ouvir no rádio, a voz dum cara cantando “rock” em português (rock brasileiro), com uma força de interpretação que jamais se viu, dos cantores nacionais. Mas, um amigo tocou-me o ombro e disparou: - Não é um cara, não. É uma mulher. Fiquei ali (com a minha cara de “UÉ!”), aguardando até o final da faixa, pra saber de quem se tratava e, uma série de outras execuções após, anuncia o locutor: - ...Você ouviu ~Por Enquanto~ (de Renato Russo), com Cássia Eller. Não entendi muito bem, mas já amei o atrevimento. Mais adiante, num vídeoclipe do Fantástico (TV Globo), a imagem marcante da tal mulher, ao lado do cantor Edson Cordeiro, interpretando “I can’t get no” (Mick Jagger), num dueto explosivo e inaudito, seria-me mais um choque. Sublimar! Eu nunca mais ouviria rock do mesmo jeito, ou com os mesmos conceitos.
Não traçarei (nem poderia) qualquer comparativo com as “Divas” da MPB ou do Rock, de hoje ou de ontem, daqui ou de qualquer parte do mundo, porque descabe comparar. Não se aquilata o brilho.
Por outro lado, difícil falar em “Diva”, quando me reporto àquela figura singela, de quem tive a oportunidade (e o prazer) de alguns instantes de conversação, e que se mostrava tímida, comum, despojada e totalmente constrangida diante de qualquer elogio (...rasguei-lhe todos - obviamente). - Pô! Tu tem a maior cara de músico... - foi a primeira frase que eu ouvi, embevecido. Deslumbrantemente talentosa e especial, fadou-lhe a vida ao sucesso.
O verbo rasgado e destemido, a postura de palco, a força da interpretação, a expressividade, a inquietude, a singeleza, os atrevimentos, a timidez, o desprendimento e a empatia com a juventude, magnetismos que lhe fizeram singular, somados a uma voz única, que não parecia com nada do que está aí, mudou a sonoridade da cantora brasileira e nos deu anos de pleno encantamento.
Embora “Malandragem” de Cazuza e Frejat, tenha sido a música mais executada de sua carreira - um marco e um hit da geração - Nando Reis foi o responsável pelas mais belas composições, imortalizadas na voz de Cássia Eller. “Segundo Sol”, carro-chefe do álbum “Com você... meu mundo ficaria completo” (Universal Music - 1999), é exemplo perfeito da grandiosidade do trabalho do compositor, cuja obra - ele afirma e nós endossamos - tinha identidade perfeita com a arte de Cássia. Também sob medida para a sua voz e enriquecidas pelos belíssimos arranjos do “Acústico MTV” (fevereiro/2001), são as canções “Luz dos Olhos” e “Relicário”; desta última, os versos - “... o horizonte anuncia com o seu vitral/ que eu trocaria a eternidade por essa noite...” - pura maestria!
Na faixa “Maluca” (Luiz Capucho), do disco “Com você...”, uma Cássia Eller romântica e doce, inspira o que adiante seria os cenários do show Acústico MTV, em versos como estes: “Eu fiquei maluca / por flor tenho loucura / eu fiquei maluca...” e coroando o seu bom momento, a frase dita por Cássia ao diretor da equipe técnica, durante os ensaios do espetáculo, traduz um desejo, no mínimo inusitado: “Quero ficar linda essa noite...” - e estava encantadora.
“A novidade que seria um sonho / virava um pesadelo tão medonho...” - (por Gilberto Gil). Ficou no peito, a desesperança de uma saudade e, na boca, o doce-amargo de quem teve a felicidade de vivenciar e se apaixonar, por um momento (um artista) único da música brasileira. Único e breve.
“Non, je ne regrette rien” (Edith Piaf)
> TRIBUTO AO SEGUNDO SOL, continua no dia 29/12. <
Fernão Paulino Netto
Escrito por Fernão Paulino Netto às 06h21
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| 05/12/2004 |
PUTZ!!!
Dizem que a justiça é cega. Mas, ao que me parece, a de São Paulo, anda cega, surda e desnorteada - ao menos, ao que me parece. Vejamos, pois.
Em matéria levada ao ar na última sexta-feira (04/12), a sempre competente equipe do Globo Repórter, traz a denúncia do caso “Cidade Ademar”, chacina ocorrida em 21 de abril de 2004. Os depoimentos que seguem, apenas em recorte, têm a função única de balizar o entendimento dos fatos, lastreando o comentário que segue.
Cidade Ademar, Zona Sul de São Paulo. Madrugada de 21 de abril de 2004. João Marciano da Silva, o Nenê (47 anos); Ednei Santos da Paz (23 anos); e Renato Nery Cristóvão (18 anos), foram barbaramente assassinados a tiros.
“Nem percebi quando o carro chegou perto, não deu para escutar o barulho. Quem desceu do carro foi Marcelino. Ele encostou o Ednei na parede e atirou” - relata um sobrevivente - “Enquanto ele atirava, o Renato correu e sentou na esquina. Acho que ele não acreditou no que tinham feito. Jailson se aproximou do Renato, apontou o revólver e começou a atirar. Ele morreu assim - sentado.”
“Foi bastante tiro - ao todo 16 atingiram as vítimas, segundo esclarecimentos da polícia técnica - Eu chorava muito, parecia que estavam matando alguém da minha família” - diz a testemunha. - Levei coronhadas em dois lugares da cabeça. Acho que eu não morri porque a munição deles acabou” - comenta.
Presos em flagrante, os vigilantes particulares Marcelino Lopes dos Santos (28 anos), e Jailson Alves Amaral, (36 anos), que atuavam clandestinamente na área, foram acusados de triplo homicídio, tentativa de assassinato, lesões corporais e porte ilegal de arma.
“As armas tinham marcas de sangue e ainda estavam quentes” - diz o investigador Miranda e acrescenta: “Nenhuma das três vítimas tinha antecedentes criminais”.
Seguem assim, em profusão, as descrições sangrentas dos fatos passados naquela madrugada. Penso que seja o suficiente. De resto, a quem interessar, o texto encontra-se disponível, na integra, no site da emissora.
INDIGNAÇÃO! O fato é que, passados quarenta e oito dias da prisão “em flagrante” dos autores da chacina, Jailson Alves Amaral, é posto em liberdade, por decisão do Juiz da Primeira Vara do Tribunal do Júri de São Paulo, segundo noticiário veiculado pela emissora de televisão, em rede nacional, sob a argumentação de que “o réu apresentava arma legalizada e não tinha antecedentes de crimes violentos”. Insatisfeito, o mesmo Juiz que determinou a expedição de alvará de soltura, decretou a quebra de sigilo telefônico do réu e, em virtude disto, atribuiu segredo de justiça ao caso. Perceba e PASME - Só para esclarecimento, uma vez decretado o segredo de justiça, só os Advogados e, no caso, o Ministério Público, têm acesso aos autos do processo. Ou seja, Jailson Alves Amaral, assassino confesso, foi posto em liberdade, em 08 de junho, p.p., e desse fato nada se sabia. Caíram das nuvens as vítimas sobreviventes, quando noticiadas através da imprensa - e somente através da imprensa - quanto aos perigos que corriam desavisadamente.
Ora, imaginem se de repente, toda a sociedade, na contramão de toda a campanha feita pelo Governo Federal, resolvesse armar-se (de forma legalizada - é claro) e assim saísse às ruas... Estaríamos todos autorizados a exterminar quem nos pisasse o calo? Sim, pois esta foi a argumentação de uma AUTORIDADE - principalmente porque não temos antecedentes de crimes violentos.
Ocorre que, o “curriculum” do marginal, beneficiário da decisão da Justiça de São Paulo, é um pouco mais extenso. Ao menos pelo que se sabe, conforme informado pela imprensa, Jailson responde a processo no Município de Ourucuri - Pernambuco, acusado de ter tentado matar a mulher a facadas, em 21 de março de 1993 - isso até onde se sabe.
“Tomando ciência, pela imprensa, da prática de outro delito em outro estado, nós podemos imediatamente juntar esse documento, que serviria, em sede de recurso, para sensibilizar o Tribunal, de que a decisão do Magistrado é absolutamente equivocada” - Isso, nas palavras do Promotor de Justiça, pego no contrapé pela equipe de reportagem.
“A polícia vai e prende. A Justiça vem e solta ...” - versos cantados pelo poeta Juca Chaves, nos idos dos anos oitentas - e incrivelmente atuais. A sociedade pede respeito, diante desse espetáculo de DESCASO, INCOMPETÊNCIA E INOPERÂNCIA.
Os fatos aqui narrados, foram desfechados com a prisão de Jailson Alves Amaral, por determinação da Justiça de Pernambuco, por ordem emanada do Juiz de Direito do Município de Ouricuri.
Pois é, pasme você que nunca ouviu falar na cidade de Ouricuri, no Pernambuco. A polícia daquele, lugarejo pequeno, pobre e distante, localizou o réu entre um clã de valentões, onde, sem negar a autoria dos crimes, a eles referia-se com o cinismo próprio de quem se vangloria dos seus feitos, em conversa informal com a imprensa. Lá a Justiça se fez presente, decretando a prisão preventiva do réu, que aguarda julgamento trancafiado.
Por tabela, a Justiça de São Paulo, após todo o alardeado e exaustivamente provocada que foi, pede a transferência do réu para responder pelos crimes que aqui cometeu, convencida - ao que parece - tratar-se de crime hediondo, para o qual, descabe o benefício de responder o processo em liberdade, nos exatos termos da lei.
É a nossa Justiça funcionando - aos empurrões.
UM ABSURDO!
Escrito por Fernão Paulino Netto às 21h52
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| 21/11/2004 |

contOS DA
MEIA NOITE
“Módulos de até dez minutos, com leitura de obras de contistas consagrados da literatura nacional.” - fragmento extraído do site da Tv Cultura - Fundação Pe. Anchieta).
Se apenas assim o fosse, já seria maravilhoso... Criado com o intuito de incentivar o livro e o gosto pela leitura, coloca a televisão como instrumento que dá mais visibilidade ao escritor nacional - diz o site, levando sua arte a um público mais amplo - conclui.
O fato é que o respeitável trabalho da Tv Cultura, merece nota e atenção. Na contramão do mercado televisivo brasileiro, CONTOS DA MEIA NOITE, é exemplo mais que perfeito de uma televisão pautada pelo compromisso social.
Quando falo em compromisso social, vem sempre a idéia de extensão do Estado, politização, civismo, partidarismo e por aí, todo o rosário das nossas aversões...
Educação e cultura é a chave de tudo - insisto! Impossível dissociá-las. (Que me perdoe o Prefeito eleito de São Paulo - José Serra, mas não pactuo com sua visão de freguês de fim de feira. Investimento em cultura jamais será desperdício de verba pública. - Perdoem o veneno! Não resisti ...).
Quando, renitente, questiono o veículo televisão, na sua função social (fundamental), atrelada à educação, à formação e informação do povo brasileiro, visualizo a preciosidade da arma que se tem em mãos (para o bem ou para o mau). O poder de alcance que ela possui. A contribuição ao crescimento cultural, enquanto formadora de opinião que, mais do que palavras, detém a força da imagem, numa assentida invasão aos lares e as mentes brasileiras.
É desta força que se serve a TV CULTURA, quando concebe uma programação voltada para a motivação do telespectador à leitura; ao encontro com as formas literárias. - Mas será que isso funciona? - Ora, se não há como jogarmos com a posteridade, tanto menos, cruzarmos os braços desistentes. É preciso acreditar!
CONTOS DA MEIA NOITE, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, à meia noite (obviamente), são dez minutos de rica contribuição e aposta. O cidadão no mais longínquo cafundó do País ou nos grandes centros (até porque, só muda o sotaque regional - as carências são idênticas), tem a oportunidade de ouvir histórias, interpretadas (contadas) por grandes atores, em performances deliciosas, num primeiro e valioso contato com as obras de nomes como Mário de Andrade; Marçal Aquino; Rubem Fonseca; Graciliano Ramos e muitos Outros... Dentre os atores que, com o seu talento, participam e agigantam o projeto, podemos conferir: Marília Pêra, Antônio Abujamra, Matheus Nachtergaele, Maria Luisa Mendonça, Beth Goulart e Giulia Gam.
Em rasa vista da nossa realidade, inconcebível imaginar o progresso de um país, sem o crescimento da Nação - o seu povo. Tudo passa pela cultura. O crescimento do cidadão, decorre diretamente da sua capacidade de participação social e política (ao que não basta a democracia, pois, inda que seja ela a via, não é o veículo - não conduz, por si só, aos almejados resultados de uma sociedade justa e igualitária) e tal capacitação está, inevitavelmente, atrelada ao desenvolvimento cultural; aos conhecimentos somados pelo sujeito e a sua capacidade de discernimento. Tenho uma frase na qual insisto e repiso: “De que me adianta almejar a tribuna, se eu não tenho (ou não sei) o que dizer?”. Meu pai simplificaria: “Tem que ter estudo!”.
Enfim, por qualquer que seja o ângulo de análise dos rumos da sociedade brasileira, cairemos sempre na questão cultural. Amargamos hoje o preço da nossa alienação (mesmo que involuntária) em descompasso com um mundo moderno e em constante ebulição.
Projetos como CONTOS DA MEIA NOITE, inda que pareçam gotinhas no oceano, são iniciativas de extremo valor social e que apontam para a premente necessidade de uma nova visão, aos homens de comunicação deste País.
Por natureza, curvo-me antes (e sempre) aos vanguardistas; e é com o mesmo entusiasmo com que, meses atrás, saudei a tão competente equipe de jornalismo do Globo Repórter, que desfecho este comentário repetindo: “Há que se reconhecer o mérito de quem mérito tem”.
Meus festejos à TV CULTRA.
Até a próxima!
Escrito por Fernão Paulino Netto às 19h24
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| 07/11/2004 |
CABOCLA
NA RETA FINAL - (“...Já está tudo certo para o casamento da cabocla Zuca, com o peão Tobias. Os dois acabam de ficar noivos e não vêem a hora de dizer o “sim” para o padre. Mas a estabilidade desse relacionamento será abalada com a chegada de Luís Jerônimo, um doutorzinho tuberculoso"... - fragmento extraído do site da Rede Globo).
Com esta introdução, o “site” da Rede Globo, esboçava em maio, p.p., a trama de CABOCLA, a telenovela que sucederia a divertida “Chocolate com Pimenta”, e que chega agora a sua reta final. Comentei rasamente, antes mesmo da estréia, e me vejo no dever de arrematar.
IMPECÁVEL! - Não cabe outro conceito, diante da farta competência de todo o núcleo, da criteriosa e cuidada produção e do esbanjado profissionalismo que balizou a regravação da trama do excelente Benedito Rui Barbosa.
Confesso que temi o atrevimento e, como tal, classifiquei a escalação de Patrícia Pilar e Tony Ramos para viverem os papeis de Emerenciana e Boanerges, magistralmente interpretados por Neusa Amaral e Cláudio Correia e Castro. Confesso também que, se os meus temores tiveram algo de “pré” - que eu tanto abomino - pautaram-se antes na grandiosidade da obra e da arte dos interpretes da primeira versão, que na competência e na capacidade dos atores que vivificam os personagens no “remake”. Percebam que não usei o termo “reviver” quanto aos personagens, pois não existe - penso - arte reconstruída. Não no ofício do ator.
É com grande encantamento que vejo o ator Tony Ramos, senhor de si e de sua arte, enchendo a tela da tv, com a dimensão mais que sagrada dos monstros, e a generosidade e a maestria, a que só o tempo e a estrada conduzem.
A rivalidade política dos coronéis Boanerges (Tony Ramos) e Justino (Mauro Mendonça), antes traçada num plano secundário, acaba naturalmente por sobressair-se na trama, com um humor requintado e preciso, cada vez mais raro na televisão brasileira. A força da interpretação, novamente, atesta que o segredo do sucesso está antes na capacidade profissional, que na aposta pura e simples, nas formas experimentadas de humor escrachado e/ou todo tipo de apelo às vulgaridades, de que se socorrem os autores contemporâneos - ressalvo, obvia e felizmente, as exceções - como esta.
Na verdade, tudo e todos contribuem para o bom êxito da telenovela. Mantenho, contudo, meu desapego aos índices de pontuação no IBOPE - nada substitui o talento.
Penso que, tratando-se da regravação de uma obra consagrada entre os clássicos da teledramaturgia, seja suficiente ater-me ao desempenho extraordinário do elenco. Um espetáculo a cada capítulo. Além daqueles aos quais já fiz menção, nomes veteranos como os atores Otávio Augusto e Jussara Freire, são um generoso presente para o telespectador. Mas, mesmo entre os novatos (Malvino Salvador; Eriberto Leão, entre outros), o brilho é grandioso. O personagem central (Zuca), por exemplo, ganha vida na interpretação segura e talentosa da atriz Vanessa Giácomo, acertada escolha da emissora, conciliando graça e competência na medida certa. A beleza da cabocla - ...e que bela! - fica num plano secundário, fato cada vez mais raro na tal “telinha”, nesses tempos em que as passarelas invadiram tão nocivamente todos os espaços - Nada contra a passarela, em si, é claro. (... ...)
Acertada, também e costumeiramente, tem sido a escolha das tramas que se sucedem (...Salve Walcyr Carrasco!!!), entre as telenovelas das dezoito horas, na emissora. Obviamente, pude conferir algumas chamadas de “Como uma Onda”, novela que sucederá a atual, mas, sinceramente, prefiro desfechar este comentário, com os meus festejos à equipe de produção de CABOCLA; aos seus diretores; aos atores e a todos os profissionais que brindam o público com mais uma obra prima e que ainda nos permitem a felicidade de poder falar de televisão - com prazer.
Até a próxima!!!
Escrito por Fernão Paulino Netto às 16h47
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| 12/10/2004 |
FERNANDO SABINO " in memoriam "
Escrito por Fernão Paulino Netto às 13h48
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| 04/09/2004 |
PANELA DE EXPRESSÃO

CHILIQUENTO.COM ATUALIDADES
Me pego perplexo, com os descabidos comentários do presidente do júri da 32ª Edição do simpaticíssimo Festival de Gramado. Digo da simpatia do Festival, pois guardo imenso carinho pelo evento, que considero a maior festa do cinema nacional, e que, diga-se de passagem, não recebe o apoio devido da mídia (a mesma que se desdobra na cobertura do Oscar), tampouco tem do público a proximidade que merece.
A edição deste ano, que teve abertura no dia 16 de agosto, com a exibição fora de competição, do festejado “Olga” do cineasta estreante, Jayme Monjardim, seguida de seis dias de exibições da rica safra do cinema nacional e latino, foi encerrada com a célebre noite de premiações, no Palácio dos Festivais, realizada no dia 21 de agosto.
Os meus festejos aos organizadores do evento, pela justíssima homenagem ao ator Lima Duarte, agraciado no Palácio dos Festivais, com a 15ª edição do Troféu Oscarito. Eleito pelo conjunto de sua obra, de rica e irretocável contribuição para o cinema nacional, Lima Duarte, pseudônimo adotado pelo mineiro Ariclenes Venâncio Martins, participou de mais de 30 filmes, entre eles, A Ostra e o Vento (1997); Eu, Tu, Eles (2000) e Sargento Getúlio, cuja atuação, lhe rendeu o Kikito de Melhor Ator em Gramado. Em edições anteriores, foram agraciados com o Troféu Oscarito, os sempre notáveis Grande Otelo, Hugo Carvana, José Lewgoy, Marieta Severo e Milton Gonçalves.
Divulgados os resultados desta edição, com o longa “Filhas do Vento”, do cineasta Joel Zito Araújo, confirmando-se como grande vencedor, arrebatando oito das simpáticas estatuetas do Kikito (Deus do bom humor), seguiu-se declaração do Senhor Rubens Ewald Filho, presidente do júri, da qual adveio verdadeiro vendaval, com ameaças de devolução das estatuetas recebidas, em sinal de protesto do maior premiado desta edição, manifestando-se conjuntamente, equipe e elenco, em nota de desagravo que segue parcialmente transcrita:
NOTA da equipe do filme “FILHAS DO VENTO”: texto extraído do site do festival (sic) - (“Não cabe a nós, diretor, elenco e demais membros da equipe do filme FILHAS DO VENTO, discutir a seleção de filmes que disputaram o Festival de Gramado. As declarações do presidente do júri do Festival, o senhor Rubens Ewald Filho, na materia de hoje do "JB", dizendo que os prêmios foram planejados e dando a entender que, exatamente FILHAS DO VENTO, foi premiado por concessão é uma desonra! Não queremos esmolas. Com esta nota queremos dizer para todo o Brasil que, se a opinião do Sr. Rubens for a mesma do júri, recusamos publicamente todos os prêmios que recebemos na noite do festival. Com exceção, obviamente, do prêmio de melhor filme, decidido pelos críticos de cinema enviados para Gramado. Honra, dignidade e respeito, antes de tudo”).
Assinam solidariamente a nota de desagravo: Joel Zito Araújo - prêmio de melhor diretor; Milton Gonçalves - prêmio de melhor ator; Léa Garcia - prêmio de melhor atriz; Ruth de Souza - prêmio de melhor atriz; Taís Araújo - prêmio de melhor atriz coadjuvante; Thalma de Freitas - prêmio de melhor atriz coadjuvante; Rocco Pitanga - prêmio de melhor ator coadjuvante; Toda a equipe - prêmio de melhor filme da crítica.
Profundo conhecedor da história do cinema mundial, jornalista, autor, crítico, sabujo ianquista por natureza e acima de tudo, um apaixonado por Hollywood, despejando-se por seus "Deuses" em nauseantes rios de bajulação, quando, de outra parte, comenta cinema brasileiro, traz consigo afiados dentes e rançosa antipatia. Não me custa imaginar o quão tortuoso lhe devam ter sido, dias seguidos de um evento, onde o foco é a produção nacional. Que mais digno teria sido recusar o convite (que dificilmente lhe será refeito) de presidir o juri, é ponto pacífico. - Mas, que outro desfecho se podia esperar? (...) - Erraram os organizadores do evento, lamentavelmente.
Pois é, armado o circo, o protagonista retira-se do picadeiro e, com riso cínico de canto de boca, atira da tangente aquela surrada desculpa: “...tudo não passou de um erro de interpretação - um mal entendido ...” E eu torno ao meu discurso, já conhecido do meu público, de que sou pela liberdade de expressão, mais antes pelo RESPEITO e pela RESPONSABILIDADE, que devem sempre nortear o trabalho de um bom profissional e finalizo, endossando integralmente o manifesto da equipe do longa “Filhas do Vento”: “...Honra, dignidade e respeito, antes e acima de tudo”.
Até a próxima !!!
MIRIAM PIRES " in memoriam " 
Escrito por Fernão Paulino Netto às 15h53
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| 22/08/2004 |
BARBÁRIE!!! ...
Mais um morador de rua é encontrado
morto em São Paulo
Síntese da matéria publicada na Folha On-line (sic)
Mais um morador de rua foi encontrado morto na madrugada deste domingo no centro de São Paulo. Trata-se de uma mulher, branca, que aparentava ter 40 anos. Outras três pessoas foram agredidas na cabeça e levadas ao hospital do Servidor Público Municipal. Com os casos, sobe para cinco o número de moradores de rua mortos após agressão. Ao menos dez foram feridos e estão internados, desde a última quinta-feira. O corpo da mulher morta foi localizado na rua Barão de Iguape. Segundo a Polícia Civil, ela tinha ferimentos na cabeça. Os casos são investigados pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). As três principais linhas de investigação são: briga entre os próprios moradores de rua, ação de grupos organizados e movimento financiado por comerciantes da área. A Associação Comercial de São Paulo classificou essa hipótese de "absurda".
Série - As primeiras agressões ocorreram na madrugada de quinta-feira. Dez homens foram agredidos com golpes na cabeça, provavelmente a pauladas ou marretadas, na região central. Quatro morreram. Na sexta-feira, outro morador foi encontrado ferido na rua Rui Barbosa. No sábado, um homem foi vítima, provavelmente de uma bomba de fabricação caseira, em Itaquera, na zona leste. Ele perdeu um dos dedos do pé. Na madrugada deste domingo, mais três agressões foram registradas no 1º DP (Sé), além da morte da mulher na Barão de Iguape.
Pois é, a mais nova onda é a faxina da cidade de São Paulo (autoria desconhecida). Ela pode arrancar das ruas a pobreza. Pode nos poupar da incômoda visão da pobreza. Pode pouco nos incomodar em nosso "silêncio sorridente". Mas abre uma ferida e lança uma mancha difícil de apagar.
Parabéns SAMPA !!!
Nos 450 anos, “PASSANDO A LIMPO”.

Escrito por Fernão Paulino Netto às 12h13
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| 05/08/2004 |
EU VI NA TV

NOTA : A abordagem que segue, me foi arrancada, mediante insistentes apelos, aos quais exaurido atendo, sob os mais veementes protestos (chilique certo ... ).
VULGAR!! - Exclamei indignado, após custosos quarenta minutos diante da televisão (até onde suportei), conferindo o quadro “Teste de Fidelidade”, aparentemente único ou principal do programa “EU VI NA TV”, na madrugada de segunda p/ terça-feira (03/8 p.p.) veiculado (ao vivo) pela Rede TV, com apresentação do... (sei lá o quê...) João Kleber. Minha mais remota lembrança do surgimento desse moço na telinha como “humorista”, data de final dos anos oitentas, nos quadros do Velho Guerreiro (Chacrinha), naquela odienta safra de imitadores do apresentador Silvio Santos. Confesso que, relutante e com desmedida repulsa, empresto este espaço a tão desprezível pauta, prometendo redobrar esforços para ater-me à análise da programação da tv aberta, como tem sido o propósito desta página.
INDECENTE!! - Conclui e recuso-me, em respeito aos amigos leitores, a reproduzir a historinha contada no quadro já mencionado do programa da Rede TV, mas em linhas gerais, para quem o desconheça, segue assim: O telespectador escreve à produção do programa e pede um “teste de fidelidade” para o seu companheiro(a), informando os dados pessoais e profissionais daquele, para que seja montada uma situação (do tipo pegadinha), que será gravada com câmera escondida, onde, geralmente a vítima, alheia a tudo, numa situação da sua rotina profissional, será abordada por uma atriz (?) contratada pelo programa, que se fará passar por possível cliente, usará de todos os meios para tentar seduzi-lo, provocando-o de todas as formas, para que este avance às vias de fato, mostrando-se infiel em seu relacionamento, quando se cuidará de interromper e revelar a farsa e quem está por trás dela (a parceira), conferindo a tudo, ao vivo, diante de uma platéia ávida por baixarias. Daí por diante, a questão vem para o palco, com todos os participantes (inclusive a vítima), para que tentem se entender, justificar, sei lá mais o quê... Enfim, o fim do mundo.
DESPREZÍVEL!!! As aparições do apresentador, chocam pela míngua de qualquer escrúpulo, para tentar prender o telespectador com falsas expectativas de grandes revelações que aguçam a curiosidade e se arrastam em intermináveis entraves (até onde valham a pena os números da audiência); pelo jeito grosseiro e chulo de falar em cena e de dirigir-se aos participantes e ao auditório (que imagino faturem alguns trocados pela “participação“); pelo estilo desleixado, propositadamente desalinhado e popularesco; pela vulgaridade na condução dos casos exibidos, pondo e expondo os participantes em vexatórias situações de execrável ridiculização, e outras tantas características que desmerecem tanto a sua audiência quanto a extensão do meu comentário.
IBOPE: Sim. Isso dá consideráveis pontos de audiência. Inegável. Aí, quando nas ruas me deparo com outdoors dizendo “O melhor do Brasil é o brasileiro” e nas manchetes de jornal, índices alarmantes (desde sempre) de miséria e violência; fome e analfabetismo; me vem o inevitável incômodo de quem, desesperançado, decodificou a mensagem - o homem brasileiro é um forte. O brasileiro anda com fé - como diz Gil. Mas um homem não é só estado de espírito. Inda que lhe valham a força e a fé, o homem é o que ele aprende vida afora. O homem é o que ele vê e o que ele vive. E aí, me vêm ratos que me roem a alma... “Que o brasileiro é o que de melhor há no Brasil - nós sabemos - mas, sócio-culturalmente desinteressado e economicamente desfavorecido, é desapegado, alienado e indolente ante o tempo e o espaço em que vive - constato, amargamente”.
CÓDIGO DE ÉTICA; CONTROLE DE QUALIDADE; VETO; CENSURA; pouco me importa como se vai chamar, mas há que se estabelecer limites; parâmetros pautados pelo bom senso. Não velo pela hipocrisia e a falsa moral da igreja. Não me refiro nem defendo, obviamente, a intervenção do Estado como órgão censor, ditando a cultura, como no passado, mas à necessária fiscalização e responsabilização; a avaliação pautada por regras pré-estabelecidas e convencionada de ética e de conduta; o consenso dos produtores e fomentadores culturais (aí também o Estado), cada um com o seu quinhão, norteando a função social dos meios de comunicação, sem que isso signifique um poder de veto, vida e morte. As leis são criadas para balizar a vida em sociedade, sem que isso represente o fim das liberdades individuais, até porque, os direitos de um cessam, onde os do outro começam. Eu sei dos traumas dos “anos de ferro” e o que representou a censura do passado. Defendo a liberdade, mais antes o RESPEITO e a RESPONSABILIDADE.
Organizam-se fóruns, negociações, debates e tanto se ouve falar em elaboração de código de ética e coisa e tal, mas NADA MUDA. Nada aplaca o poderio escandaloso das emissoras de televisão e a ganância inescrupulosa dos homens de comunicação. A sociedade precisa erguer-se e protestar o seu descontentamento. BASTA !!
Perdoem a minha intolerância e o mau jeito, mas saio dessa abordagem, como quem acaba de revirar um lixão; impregnado e um tanto mais enojado - A que ponto chegamos!...
Até a próxima!
Escrito por Fernão Paulino Netto às 16h38
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| 08/07/2004 |
TURMA DO GUETO
“Turma do Gueto é uma série como você nunca viu: ousada, inovadora e inédita ... Histórias de amor, de violência, de amizade, de drogas, de música, de lealdade e de traição, irão levar o telespectador a uma viagem direta do seu televisor às ruas da periferia brasileira...” (sic). Segue assim o entusiasmo dos autores do seriado que vai ao ar, todas as segundas-feiras, às 22:30h, pela Rede Record, produzido por Casablanca Produções e sob a direção de Pedro Siaretta.
Entendo, conquanto não compartilhe dos festejos dos pais da criança - e nem poderia. Por qualquer que seja o ângulo de visão, descabem elogios. Mesmo que encarados como mera diversão (se divertido fosse), os episódios mal dirigidos e nada ensaiados; textos mal concebidos e produzidos com desleixo de fundo de quintal, empobrecem a já lastimável programação da tv aberta. Sopesando, porém, as mazelas da concorrência, desesperançado e exaurido, abrando o foco e, ao atenuá-lo, ressalto a oportunidade de trabalho para atores negros, cuja presença em números tão expressivos num elenco, só se viu na realização de marcos da televisão brasileira, cujas tramas retratavam, invariavelmente, o regime escravocrata do Brasil-colônia. Perceba, contudo, que não se pode confundir a situação destes profissionais que, embora vendo o seu trabalho ao ar, a cada episódio exibido pela Rede Record, não fazem parte do elenco da emissora. Não são atores por ela contratados, restando aí, uma sutil “porta dos fundos”, despercebida da visão do público.
Com o perdão dos apaixonados pela série, atenho-me a uma visão geral (e pretensiosa) do que é ofertado ao telespectador na tv aberta.
Que o público jovem gosta de ação, nós sabemos; Que sangue e violência, sempre pontuam muito bem na audiência, sabemos também e há bom tempo. Aliando-se isso, ao custo zero de produção e mão de obra (modicíssimos valores até para a produtora, por motivos óbvios), tem-se justificada a aposta da Rede Record que, descompromissada que é, no habitual descompromisso dos veículos de comunicação, safa-se ilesa em sua condição única de transmissora e de muito bom grado, computa os resultados da sua - comercialmente falando - “tacada de mestre”.
Turma do Gueto, mistura muita ação e aventura a situações de humor, sempre bem levadas no altíssimo astral da atriz Paixão de Jesus (Gardênia), que escancara: “Sou linda, gostosa, boa até umas horas. Positivo é o meu lema, ser feliz a minha tarefa”. Figura espalhafatosa e de presença marcante nos episódios da série - impossível não percebê-la. No sempre bom trabalho da dupla Sidnei Santiago (Xarope) e André Ricardo (Tico), sempre envoltos em infalíveis golpes, engendrados contra a comunidade do morro, invariavelmente frustrados e desmascarados. No talentoso desempenho, digno de ressalte, do ator Nill Marcondes (Jamanta), ancorando a trama com uma interpretação segura e competente. Tudo isso, a despeito da mediocridade dos textos, minguando criatividade. Vale, inclusive, lembrar a passagem da atriz Adriana Alves (Paloma) que, da boa vitrine que é a telinha, bateu asas, deixando pra trás a sua personagem na série, onde vivia a namorada do traficante Jamanta, por um contrato (?) com a Rede Globo de Televisão, onde viveu na novela Celebridade a personagem Palmira, uma arrumadeira do apart-hotel onde vivia o vilão Renato Mendes (Fábio Assunção), na mais recente história de Gilberto Braga - deve ter pesado (acertadamente) as conveniências.
Resguardo, contudo, a questão da presença do negro no meio televisivo, à pauta próxima do “Panela de Expressão”, estreado no mês passado, com o texto “Língua”. Mas, só pra cutucar, deixo uma curiosidade que me bate neste instante e, novamente, proponho reflexão. Vejamos: Se conseguem, os autores brasileiros, dentro de um enredo dado e passado num reduto de negros (“...Gueto” como prefere o título), inserir a figura do homem branco, e não só a inserção pela inserção, mas vê-lo no contexto, presente e atuante; Como entender as dificuldades desses mesmos autores, ao elaborarem suas tramas em torno da sociedade (aquilo que está acima dos guetos) em perceberem a necessidade da inserção do homem negro naquele “universo”, e não só a inserção pela inserção, mas... (?)
Pois é, inevitavelmente, neste momento, você se pega intrigado com a presença incômoda do termo “inserção”, demarcando terrenos; delimitando espaços; dividindo águas - apartheid, triste lembrança... - Confesso que, sem qualquer intenção de agitar bandeiras, fiz uso proposital da palavra, para convidar-lhe a refletir sobre a função (inda que desintencional) do termo “GUETO”, gritante(do) na trama.
Até a próxima!
Eu Vi Na TV
Escrito por Fernão Paulino Netto às 18h38
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| 02/07/2004 |
Confessionário 
(Faz sinal da cruz)
- “Em nome do Pai...”
... Aqui é o LUPOLINHO. Péra! Já sei... Tem que falar: Perdão Jesus, porque pequei, né? (...) Mas já falei ! ( !!! ) Poxa! Como é difícil falar aqui no CHILIQUENTO. Só levo bronca! ( !!! ) Oh! Sabe o PLANQUINHO, o meu cachorro que ganhei de aniversário? (...) Então, hoje ele tá preso lá fora e o Tio Fernão deixou eu falar aqui no CHILIQUENTO, porque eu tava muito triste (...) É que, desde ontem, o PLANQUINHO, tá peidando muito fedido, aí ninguém deixa ele entrar em casa (...) Acho que é por causa dos charutinhos de repolho que a minha avó fez pra mim. Sabe a minha avó, Dorina? (...) Então! Minha mãe, só pra agradar, falou pra ela que eu gosto muito dos charutinhos que ela faz, aí toda vez ela vem com aquele monte de repolho. (...) Mas só repolho !? ( !!! ) Agora que descobri que o PLANQUINHO gosta muito, ela pode trazer um panelão que eu nem ligo. (...) Não, dessa vez eu não vou confessar pecado, que eu nem pequei nada... Só vim aqui, porque o Tio Fernão só deixa eu falar se for no Confessionário. Acho isso um saco! (!!!) Perdão! Tio Fernão tá dormindo com o cobertor do Procurando Nemo que eu dei pra ele. Ele tá dodói, faz um tempão. Êpa! Péra que o PLANQUINHO entrou aqui! Não PLANQUINHO!!! Ele vai acordar o Tio Fernão. Poxa vida!!! Vou levar bronca de novo. Desce, PLANQUINHO !!! Depois eu volto ... 
Escrito por Fernão Paulino Netto às 09h47
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